Arquivos de Epstein revelam laços entre financista, ciência e jornalismo desonrados

3

Os ficheiros de investigação recentemente divulgados sobre Jeffrey Epstein, totalizando mais de três milhões de páginas e tornados públicos pelo Departamento de Justiça em 30 de janeiro, detalham o seu cultivo deliberado de relações com cientistas e organizações noticiosas – incluindo a Scientific American – como parte de um esforço mais amplo para se inserir em círculos influentes.

Os documentos mostram que Epstein procurou ligações não apenas através de financiamento direto, mas também através de redes com figuras proeminentes da ciência e da comunicação social. New Scientist é mencionado em mais de 50 arquivos, enquanto National Geographic aparece em quase 200, embora muitas referências sejam simplesmente artigos encaminhados ou materiais de marketing. No entanto, algumas trocas sugerem uma relação mais íntima entre Epstein e certas publicações.

Rede de influência de Epstein:

Epstein e sua associada Ghislaine Maxwell ocuparam cargos no conselho da agora extinta revista científica Seed, referenciada em 78 arquivos. A Forbes lista mais de 1.100 menções, incluindo uma proposta para um artigo sobre IA na Etiópia vinculado a um laboratório financiado por Epstein. O mais preocupante é que pelo menos cinco antigos e um actual membro do conselho científico da Scientific American – Lisa Randall, George Church, Danny Hillis, Martin Nowak, Lawrence Krauss e Nathan Wolfe – parecem ter tido contacto documentado com Epstein. Nenhum foi acusado de crimes relacionados.

Em 2009, Nowak enviou um e-mail a Epstein, escrevendo que ele estava se juntando ao conselho da Scientific American e que “quase todo mundo ali é amigo seu”. Mais tarde, Harvard sancionou Nowak em 2021 por aceitar o financiamento de Epstein, embora essas restrições tenham sido levantadas em 2023. Wolfe, outro ex-membro do conselho, confirmou interações profissionais com Epstein desde 2009, mesmo após a condenação do financista em 2008 por solicitar prostituição a um menor. Ele afirma que nenhum financiamento foi recebido e que Epstein não teve influência editorial.

Randall, o único membro do conselho mencionado, supostamente voou no jato particular de Epstein em 2014 e participou de uma conferência que ele financiou em St. Ela nega qualquer impacto em sua perspectiva científica.

Tentativas de controle editorial:

Em 2014, Epstein buscou acesso às reuniões editoriais da Scientific American através de Krauss, que forneceu o contato do editor-chefe. O financiador manifestou interesse em saber como a revista identificava inovações para cobertura, e DiChristina ofereceu opções, como fez para outros potenciais investidores. DiChristina insiste que Epstein não teve influência na cobertura. Uma mensagem editada de 2014 propunha a redação de um artigo para a Scientific American em coautoria com Seth Lloyd do MIT, com o nome de Epstein no título; a peça nunca foi publicada. Lloyd, que mais tarde enfrentou restrições no M.I.T. por aceitar doações de Epstein, reconheceu que o financiador apoiou alguma “boa ciência”.

Os ficheiros também revelam discussões perturbadoras entre Epstein e cientistas sobre hipotéticas pesquisas sobre doenças sexualmente transmissíveis para aumentar a libido feminina e a ciência racial. A Scientific American reduziu a sua rede de bloggers em 2014, potencialmente cortando um canal que Epstein poderia ter explorado. Um e-mail propôs a criação de uma “página de editor convidado” para Epstein, embora tal página não tenha sido criada.

O panorama geral:

O envolvimento de Epstein com a ciência e a mídia não se limitou apenas ao apoio financeiro. Ele buscou ativamente prestígio e influência, tentando se posicionar como patrono do discurso intelectual. Ainda não está claro até que ponto ele pretendia moldar os resultados da investigação, mas os ficheiros sugerem uma estratégia deliberada para cultivar relações com figuras influentes.

O caso Epstein destaca como mesmo as interações aparentemente benignas com um criminoso condenado podem levantar questões éticas para instituições e indivíduos. As implicações a longo prazo destas relações, para além do escândalo imediato, ainda estão em curso.

попередня статтяDia da Marmota: Além da Sombra – 6 fatos surpreendentes sobre esses roedores incomuns