Implantes cerebrais restauram velocidade de digitação quase normal para indivíduos paralisados

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Avanços recentes na tecnologia de interface cérebro-computador (BCI) permitiram que dois indivíduos com paralisia quase total digitassem em velocidades comparáveis às de mensagens de texto em um smartphone – até 22 palavras por minuto. Esta descoberta, publicada na Nature Neuroscience, marca um passo significativo para restaurar a comunicação prática para aqueles que não conseguem usar as mãos ou a fala.

A evolução das interfaces cérebro-computador

O conceito de decodificação de sinais cerebrais para controlar dispositivos externos remonta à década de 1960, inicialmente demonstrado em macacos com implantes de eletrodo único. Ao longo de décadas, a tecnologia BCI progrediu:
– Em 2006, BrainGate demonstrou controle de cursor e operação de membros protéticos.
– Mais tarde, o BrainGate refinou o sistema para digitação no teclado virtual, embora as velocidades permanecessem lentas.
– Outros grupos de pesquisa exploraram a decodificação direta de regiões cerebrais relacionadas à fala.

O principal problema dos sistemas anteriores era a velocidade. Os métodos anteriores de digitação cerebral dependiam da seleção do cursor, tornando-os muito mais lentos do que a digitação manual natural. Esta nova abordagem contorna esse gargalo.

Como funciona o novo sistema

Pesquisadores do BrainGate treinaram um modelo de IA para reconhecer os movimentos pretendidos das mãos ou dos dedos do giro pré-central, uma região do cérebro que controla as funções motoras. Os participantes tentaram mover membros paralisados ​​enquanto a IA previa as letras correspondentes em um teclado QWERTY padrão. O sistema atingiu velocidades de 110 caracteres por minuto (22 palavras por minuto) com uma baixa taxa de erro de 1,6% em um participante. Um segundo participante com paralisia também demonstrou digitação funcional, embora mais lenta.

Isso representa uma melhoria substancial em relação aos métodos existentes. Os sistemas BCI anteriores alcançaram velocidades de 18 palavras por minuto com taxas de erro mais altas, ou 78 palavras por minuto com uma taxa de erro de 25%.

Por que a velocidade é importante

Os pesquisadores enfatizam que a velocidade da comunicação não é apenas uma referência técnica. “A velocidade da comunicação é importante, porque fazer parte de uma conversa é importante”, diz Daniel Rubin, coautor do estudo. Para indivíduos que perderam a fala e a função manual, a comunicação eficiente é crucial para manter a conexão social e a participação. Métodos alternativos, como o rastreamento ocular, são lentos demais para uma interação natural.

Desafios restantes e direções futuras

Apesar do progresso, a tecnologia enfrenta limitações:
– O estudo envolveu apenas dois participantes.
– O sistema requer cirurgia cerebral invasiva para colocação do implante.
– A calibração é necessária antes de cada utilização, semelhante à afinação de um instrumento musical.

A questão mais ampla permanece se a decodificação do córtex motor ou de áreas relacionadas à fala é mais eficaz. Os sinais motores são mais fáceis de decodificar, mas as regiões da fala podem oferecer velocidades mais altas. Várias empresas, incluindo Neuralink, Paradromics e Synchron, estão desenvolvendo BCIs comerciais, embora a adoção generalizada dependa da superação desses obstáculos.

Esta tecnologia oferece um vislumbre de um futuro onde a paralisia já não significa silêncio. Embora sejam necessários mais refinamentos, a velocidade e a precisão demonstradas sinalizam que a digitação prática do cérebro-computador está ao nosso alcance.

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