O rover Perseverance da NASA fez uma descoberta inovadora na cratera de Jezero: evidências de sistemas fluviais anteriores a cursos de água anteriormente conhecidos em centenas de milhões de anos. Esta descoberta sugere que Marte manteve condições habitáveis por um período mais longo do que se acreditava inicialmente, aumentando potencialmente as chances de que alguma vez existiu vida no Planeta Vermelho.
Mais profundo do que o esperado: rios subterrâneos revelam uma história marciana mais antiga
Nos últimos cinco anos, o Perseverance explorou a cratera Jezero, um local escolhido por sua clara evidência de atividade aquática no passado – incluindo leitos de lagos extensos e secos e antigos deltas de rios que datam de 3,7 bilhões de anos. No entanto, recentes varreduras de radar de penetração no solo revelam um sistema ainda mais antigo enterrado nas profundezas da superfície. Estima-se que estas características subterrâneas, incluindo encostas esculpidas e canais sinuosos, tenham sido formadas há 4,2 mil milhões de anos.
Esta descoberta prolonga o período conhecido de deposição fluvial (baseada em rios) em Marte, o que significa que a água líquida esteve presente durante mais tempo e em períodos mais sustentados do que se pensava anteriormente. Na Terra, tais condições promovem a formação de minerais que podem preservar fósseis, sugerindo a possibilidade de bioassinaturas preservadas em Marte.
Por que isso é importante: Marte como uma cápsula geológica única do tempo
A importância desta descoberta reside não apenas no período de tempo alargado para a vida potencial, mas também na excepcional preservação dos registos geológicos do planeta. Ao contrário da Terra, onde rochas antigas foram erodidas, aquecidas e alteradas por processos geológicos, Marte permanece relativamente intacto. Isto permite aos cientistas estudar um registo mais claro e intacto do seu passado.
“O facto de termos este registo desta idade é notável”, diz Emily Cardarelli, principal autora do estudo. “Eles foram aquecidos, foram esmagados e foram alterados pela água… Eles passaram por momentos difíceis [na Terra].”
Os dados, coletados de 78 travessias do rover entre setembro de 2023 e fevereiro de 2024, demonstram que a cratera de Jezero experimentou vários episódios de fluxo sustentado de água. Isto reforça a ideia de que a cratera estava madura para a vida – e para preservar vestígios dessa vida na pedra.
Implicações para a astrobiologia e as origens da vida
O registo geológico intacto de Marte poderá produzir não só evidências de vida extraterrestre, mas também informações sobre como a vida surgiu. Algumas teorias sugerem mesmo que a vida primitiva em Marte pode ter sido transportada para a Terra através de impactos de asteróides, tornando Marte uma chave potencial para a compreensão das origens da vida em ambos os planetas.
O cientista planetário Jack Mustard observa que a descoberta de deltas sobrepostos não é surpreendente, uma vez que tais padrões são comuns em formações de rios e lagos. A longa duração da atividade sugere que a cratera de Jezero foi um ambiente potencialmente habitável por um longo período.
Pesquisa em andamento e descobertas futuras
O Perseverance continua a coletar dados, com Cardarelli afirmando que ainda há muito a aprender com a área e outras partes da cratera de Jezero. As descobertas do rover estão longe de estar completas, sugerindo a possibilidade de descobertas ainda mais significativas.
A descoberta destes antigos sistemas fluviais sublinha o potencial duradouro de Marte para revelar segredos sobre a história inicial do nosso sistema solar e as condições necessárias para o surgimento da vida. O planeta continua a ser um alvo único e promissor para a investigação astrobiológica.
