O Senado apenas traçou uma linha na areia.
Um projecto de resolução contínua, previsto para financiar o governo até 11 de Dezembro, iria efectivamente interromper a controversa tentativa do Gabinete de Gestão e Orçamento (OMB) de reescrever as regras de financiamento de subvenções científicas. Se este projeto for aprovado, o atual sistema de revisão por pares permanecerá intacto durante os próximos três meses.
Não se trata de parar para sempre o plano do OMB. É uma questão de ganhar tempo.
A regra proposta afastaria o poder de painéis independentes de cientistas especializados. Em vez disso, os nomeados políticos teriam a palavra final sobre quais pesquisas receberiam dinheiro federal. A lógica? Simplificação. A realidade? Politizando a ciência básica.
Os cientistas não ficaram satisfeitos. Apressaram-se em submeter meio milhão de comentários durante o período público, que terminou em 13 de julho. A reação foi imediata e severa. Os laureados com o Nobel juntaram-se à briga, alertando que esta tomada de poder prejudicaria a inovação dos EUA. Argumentaram que deixar os burocratas escolherem vencedores e perdedores com base no alinhamento político é um caminho perigoso.
A luta para manter a ciência apolítica
A deputada Rosa DeLauro (D-CT) conhece o que está em jogo. Como membro graduado do Comitê de Dotações da Câmara, ela classificou a pausa no projeto de lei como uma vitória temporária, não final.
“Embora o projeto de lei bloqueie temporariamente a regra proposta do OMB, a luta deve continuar.”
DeLauro argumenta que o projeto do Senado obriga o OMB a continuar revisando esses meio milhão de comentários públicos. Mas parar o relógio não é suficiente. Ela quer que o Congresso bloqueie permanentemente o que ela chama de “tomada de poder corrupta e prejudicial” antes que expire o prazo de 11 de dezembro.
A regra do OMB entregaria o controlo de agências como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e a Fundação Nacional de Ciência (NSF) a membros políticos. O sistema atual baseia-se na avaliação pelos pares baseada no mérito. Especialistas na área avaliam propostas. É lento. É burocrático. Mas também é amplamente imune aos ventos políticos.
Quem se opõe às mudanças nas regras?
Não são apenas os acadêmicos reclamando. A senadora Susan Collins (R-ME), presidente do Comitê de Dotações do Senado, apoiou a pausa. Ela tem falado abertamente sobre os perigos da proposta do OMB desde uma carta de 6 de julho.
“Defendi mudanças significativas na regra proposta… citando o seu potencial para politizar as subvenções e prejudicar pequenas comunidades rurais.”
Collins vê dois riscos distintos aqui. Primeiro, a politização do processo de subvenções. Em segundo lugar, o impacto tangível nas comunidades rurais e nas famílias que dependem do financiamento da investigação biomédica. Ao protelar a regra, o Senado garante que estas preocupações específicas façam parte do diálogo contínuo.
O OMB afirma que estas mudanças são necessárias para a eficiência. Os críticos dizem que a eficiência não deveria ser feita às custas da integridade científica. Quando os nomeados políticos substituem os revisores pares, o foco muda de “o que funciona” para “o que se alinha com os objectivos actuais da administração”. Essa é uma base frágil para pesquisas de longo prazo.
O que acontece a seguir?
A resolução contínua é apenas uma ponte. Prorroga o financiamento e mantém as antigas regras em vigor até meados de dezembro. Mas quando essa data chegar, a nova regra do OMB poderá entrar em vigor, a menos que o Congresso aja novamente.
A questão não é apenas como esse projeto de lei será aprovado na Câmara. A questão é se a pressão dos cientistas, dos legisladores e do público forçará uma paralisação permanente.
Se a regra do OMB se mantiver, entraremos numa nova era em que o financiamento da ciência é uma ferramenta política. Se falhar, preservamos um sistema baseado na experiência.
No momento, temos um botão de pausa. Mas o jogo está longe de terminar.
























