Pop Science envia dicas e novidades. Diário. Na maioria dos dias. Você provavelmente conhece A Divina Comédia. É literatura italiana antiga. Coisas famosas. Mas olhe mais de perto.
O professor da Universidade Marshall, Timothy Burbery, vê outra coisa. Dante não estava apenas escrevendo poesia. Ele estava fazendo geofísica. Por acidente.
Antes de os cientistas mapearem a Terra, Dante a esboçou em versos. Ele não conhecia física. Mas ele sentiu isso. Burbery destaca dois momentos. Um vôo estranho. E a aterrissagem forçada do Diabo.
A física da queda
Imagine voar em Geryon. Um monstro híbrido. Carregando Dante pelos círculos do Inferno. O poeta escreve um pequeno detalhe. Ele não sente o vento. Ele não sente movimento.
Para você ou para mim? Nada. Para Burbery? Uma lâmpada.
Este é o referencial inercial. Você não pode sentir movimento constante se não houver aceleração. Dante notou a falta de sensação. Ele descreveu uma realidade física antes de Galileu lhe dar um nome.
Depois vem Satanás.
O poema diz que Lúcifer caiu do céu. Geralmente lemos isso como uma alegoria espiritual. Culpa. Orgulho. Mas Burbery interpreta isso como uma rocha espacial. Um grande problema. Além da órbita de Saturno.
Satanás atingiu a Terra. Duro.
O impacto criou um buraco. Esse buraco é o Inferno. Uma cratera de baixo para cima. A sujeira que ele expulsou formou o Monte Purgatório. A força empurrou massas de terra. Os continentes do Hemisfério Sul fugiram para o norte.
“Porque Satanás mergulha na terra de uma altura enorme… ele abre túneis até o seu núcleo.”
É cientificamente preciso? Não.
Os meteoros não atingem o núcleo da Terra. Eles ricocheteiam. Ou queimar. O demônio de Dante caiu direto. Através da crosta. Além do manto. No coração de ferro do planeta. A geologia real discorda. Os estudiosos discutem se o Inferno foi feito dessa forma no texto. Alguns dizem que é apenas uma escrita sofisticada. Outros dizem que Burbery encontrou o esqueleto por trás da metáfora.
Então, como é quando Satanás ataca?
Ícaro voou muito perto do sol. Ele caiu. Mas essa foi uma pequena queda. Nenhuma cratera.
Os Titãs caíram por nove dias. Alguém escreveu sobre a física de pouso? Ninguém. Não antes de Dante.
Ele fez você visualizar a colisão. O calor. O deslocamento. Proto-geologia. Ele imaginou um corpo celeste caindo na terra. Só isso já é estranho para os anos 1300.
Talvez ele tenha visto vulcões. O Vesúvio cospe fogo. Etna ruge. Talvez essas formas tenham inspirado a cratera do Inferno. Talvez tenha sido apenas um experimento mental. Uma previsão acidental de que as rochas espaciais mudam as paisagens. Séculos antes de alguém provar que os meteoros vêm do espaço. (Isso foi em 1803. Dante morreu muito antes.)
Aristóteles ficaria confuso
Aqui está a reviravolta. Dante provavelmente não concordou com esta interpretação.
Naquela época? Aristóteles governou o céu.
As estrelas eram perfeitas. Imutável. Os meteoros eram locais. Gás terrestre subindo. Não são pedras voando do espaço profundo.
Se você perguntasse a Dante de onde veio Satanás fisicamente, ele citaria Aristóteles. Ele literalmente menciona a física aristotélica no Paraíso. Ele acreditava que os céus eram esferas estáticas.
Então, como ele descreve Satanás cavando um túnel até o âmago como se ele tivesse massa e impulso?
Talvez a intuição supere a doutrina. Você pode seguir as regras enquanto sua imaginação as quebra.
Burbery mostrou esta opinião à União Europeia de Geociências. Uma multidão de ciências. Um quebra-cabeça literário.
Não é uma ciência perfeita. É uma bagunça. Como a própria obra de Dante.
Ainda não sabemos se ele quis dizer isso como um fato ou uma fábula. O texto permanece ambíguo. A cratera está vazia.
Ele sabia mais do que admitia?
Ou o universo estava apenas sussurrando para ele em versos?


























