A Colossal Biosciences acaba de exibir seu “ovo artificial”. Dizem que isso nos deixa um passo mais perto de trazer de volta o dodô. Ou a moa. Você sabe. Perdemos os pássaros extintos porque os humanos são ruins em manter as coisas por perto.
Os cientistas não estão acreditando nisso. Não é o hype, de qualquer maneira.
Victoria Herridge, bióloga evolucionista da Universidade de Sheffield, foi franca. “Nada jamais trará de volta um mamute; nada jamais trará de volta o dodô.” Extinction não é uma tela de carregamento. Acabou. Para sempre.
Silicone, não casca
A tecnologia em si? É bem legal, tecnicamente. A Colossal construiu uma membrana de silicone semipermeável. Ele fica em um copo hexagonal rígido. A coisa toda mantém a umidade e o oxigênio fluindo. Não é necessário shell.
Os pássaros não podem usar o método de “emprestar um útero” que os mamíferos usam para experimentos de extinção. Eles precisam de um ovo. Portanto, esta é uma solução alternativa. Colossal afirma que funciona para qualquer tamanho de ovo. Beija-flor para moa gigante. Dizem que chocaram vinte e seis galinhas usando este sistema.
A empresa diz que os pintinhos eram “saudáveis”.
É isso. Isso é tudo que temos. Nenhum artigo revisado por pares. Não há dados sobre quantos ovos falharam. Não há relatórios de saúde de longo prazo sobre essas galinhas. Quando questionado sobre detalhes, Colossal ficou quieto. Eles não divulgaram nenhum conjunto de dados. Cientistas independentes nem sequer analisaram a metodologia.
Se a taxa de eclosão do Colossal for realmente maior que a da natureza, então pode ser útil. Para conservação.
Uma distração ou uma ferramenta?
Mike McGrew, de Edimburgo, acredita que as baixas taxas de sucesso das conchas artificiais anteriores são o gargalo. Se esta tecnologia resolver isso, talvez ajude a salvar emas. Ou patos. Ou o kea, um papagaio ameaçado de extinção da Nova Zelândia. Nic Rawlence sugere que a Colossal se concentre na criação de espécies vivas. Como o kea. Parece um uso melhor do tempo do que perseguir fantasmas.
Depois há o elefante na sala. Bem. O frango com casca.
Chris Elphick, professor de ornitologia, analisa isso e vê muitos problemas com pouco ganho. Sua opinião? Colossal provavelmente está apenas quebrando ovos de verdade e colocando-os em seus elegantes copos de plástico. Se você já tem o embrião dentro do óvulo real, por que se preocupar em transferi-lo? Ele adiciona etapas. Acrescenta custo.
Michael Parr, da American Bird Conservancy, salienta que a reprodução em cativeiro funciona bem para espécies como o ‘Akikiki’ do Havai. Estamos aumentando os números. Não precisamos de um substituto de ovo de alta tecnologia.
O que está quebrando não é a criação. É o que acontece depois.
Quando você os solta na natureza, a natureza não existe mais.
Por que eles foram extintos
É aqui que os especialistas sempre voltam. A destruição do habitat matou esses animais. Colocá-los em um ovo de laboratório não restaura a floresta.
Chris Elphick faz uma pergunta que todos deveríamos. Onde você vai colocá-los quando eclodirem? A moa não desapareceu sem motivo. Os humanos mudaram o meio ambiente. Trazer o pássaro de volta sem trazer a casa de volta é um exercício inútil.
Herridge odeia o termo “desextinção” por esse motivo. Estes não são amigos perdidos voltando para casa. São experimentos de biologia sintética. Eles são organismos novos. Colossal admite isso sozinho. Sua diretora científica, Beth Shapiro, disse que os filhotes de lobos terríveis eram, na verdade, apenas lobos cinzentos com alguns ajustes genéticos. Vinte edições. Não é 100% idêntico.
Estamos criando algo novo. Chamá-lo de animal “velho” é uma escolha de marca.
Sonhar versus fazer
Essa tecnologia nos permite sonhar acordados. Imaginamos manadas de mamutes ou bandos de dodôs. Parece cinematográfico. Mas ignora o problema real.
Os elefantes precisam de conservação agora. Hoje. Em um planeta superlotado e aquecido. O ovo sintético não resolve o colapso da biodiversidade. Não para de caça furtiva. Isso não corrige o clima.
Herridge diz que o trabalho não aborda nenhum problema subjacente que os lugares selvagens enfrentam hoje.
É apenas um espelho. Um brilhante e caro que nos mostra o que gostaríamos de ter salvo, em vez do que ainda temos tempo de consertar.
