Ele morreu há mais de mil anos.
No entanto, o mundo da matemática acaba de ganhar um prodígio. Não porque ele apareceu em cena hoje, mas porque sua assinatura sobreviveu ao colapso do império, ao crescimento da selva e ao tempo.
Os maias faziam matemática, nós sabíamos. Seus calendários acompanhavam os ciclos celestes com uma precisão que exige cálculos avançados. Mas não sabíamos os nomes. A maior parte do conhecimento indígena foi apagado ou descartado durante a conquista europeia, deixando para trás estruturas e pedras enquanto os nomes desapareciam no vazio, ao contrário dos matemáticos gregos, mesopotâmicos ou chineses cujas identidades permanecem intactas.
Até hoje.
Arqueólogos publicaram um novo estudo na Antiquity, decodificando um fragmento de gesso que data de pelo menos 1.100 anos. Os símbolos representam uma fórmula matemática que une os períodos orbitais dos corpos celestes. Ao lado estão hieróglifos. Eles lêem “assim diz Sak Tahn Waax”. Seu nome se traduz em Raposa de Peito Branco. Ele é um astrônomo maia. O primeiro da Mesoamérica identificado pelo nome.
“Foi o seu momento de queda do microfone”, diz Heather Hurst. Ela é arqueóloga em Skidmore e autora sênior. Ela vê a inscrição em negrito, uma forma de declarar Eu fiz essa matemática maluca e ir embora. Sak Tahn Waax carimbou sua identidade em seu trabalho.
O rastreamento começa em 2010 em Xultun, na Guatemala. Uma movimentada cidade antiga agora engolida por árvores. Uma equipe cavou em torno de um buraco de saqueador e descobriu um mural. Uma grande câmara apareceu com paredes pintadas.
Uma parede parecia suja. Ou danificado. Olhando mais de perto, havia finos pedaços de gesso cobertos de marcas. A equipe não conseguiu lê-los naquele momento, mas não conseguiu parar de olhar. Por mais de uma década eles revisitaram os fragmentos em momentos de silêncio, destruindo o significado.
“Pareciam números e datas aleatórias”, lembra Hurst. Então seu colega Franco Rossi descobriu. Trabalhando no MIT, Rossi leu os símbolos como uma cronologia celestial. Eles mapearam quanto tempo os planetas levam para retornar a posições específicas em relação ao Sol – Marte e Vênus em particular. A fórmula relacionava cada ciclo entre si, misturando-se no calendário ritual maia de 260 dias. O escriba usou coincidências matemáticas perfeitas. Mínimos múltiplos comuns. Tudo vinculado em uma declaração. Então assinei.
Não participou da pesquisa Oswaldo Chinchilla, antropólogo de Yale. Ele chama o texto de único, observando simetria retórica e bela estrutura. Não são apenas números, é observação, significado cultural e identidade entrelaçados. Saber quem escreveu muda tudo, argumenta ele. Este não foi um exercício anônimo, mas um conhecimento vinculado a uma pessoa real que vale a pena citar.
Gabrielle Vail, arqueóloga da UNC em Chapel Hill que também não participou, conecta-o ao Códice de Dresden, um antigo texto maia intacto, repleto de matemática. Ela acha que o trabalho de Sak Tahn Waax pode ser a fonte original, ideias preservadas antes de chegarem às páginas do códice.
Mas a história não acabou. A sala de Xultun era provavelmente uma residência de artesãos para escribas ou fabricantes de papel. Sak Tahn Waax morava lá ou alguém estava apenas citando uma equação famosa? Quem sabe ainda.
Hurst planeja examinar mais fragmentos de gesso. Eles têm caligrafia diferente. Outros escribas estavam presentes. A cidade ainda guarda segredos em seu solo.
“Algum dia poderemos aprender mais”, diz Vail, ainda impressionado com o que está lá. Ela admite que lhe dá arrepios pensar em uma única mente antiga calculando os ciclos planetários e querendo crédito por isso. A matemática funciona. O nome fica.


























